
Entrevista com o professor Robert Ferguson
Instituto de Educação - Universidade de Londres
Instituto de Educação - Universidade de Londres
"Não ensinar sobre as mídias é tão crítico quanto não ensinar sobre a gravidade: ambas interferem em nossas vidas a cada passo que damos."
Robert Ferguson
1. Dada a relativa falta de difusão do conceito no Brasil, vamos diretamente à questão que mais nos aflige: afinal, o que é Media Education e qual sua finalidade?
As mídias estão por toda a parte. A onipresença das mídias é uma das razões por causa das quais precisam ser estudadas na escola. Não ensinar sobre as mídias é tão crítico quando não ensinar sobre a gravidade: ambas interferem em nossas vidas a cada passo que damos. As mídias nos trazem informações sobre o mundo, sobre relações sociais, sobre política, religião, cultura, sobre o que comprar, sobre o que é bom e normal, sobre o que é ruim e desviante.Sendo tão prevalentes, não é de estranhar que a maior parte do conhecimento que temos sobre o mundo é mediado. E esta mediação está progressivamente ligada às novas tecnologias de comunicação. John Fiske, um escritor prolífico e pesquisador nesta área argumenta que:
"O conhecimento é uma produção da mediatech, e aqueles que são mídia-analfabetos e tecnófobos serão cortados de sua produção, de sua circulação e das lutas em torno de seu controle. Numa cultura mediada massivamente, eles estão marginalizados e suas vozes clamando pela perda da capacidade de leitura fica cada dia mais fraca". Friske destaca a importância desse novo tipo de alfabetização: a alfabetização para as mídias (media literacy). Isso é cada vez mais importante, pois os conceitos tradicionais de alfabetização estão sendo desafiados pelo desenvolvimento dos meios de comunicação, em especial nessa de meios digitais e interativos.
2. O senhor diz no final do artigo que traduzimos para este número de nossa revista, que a media education é "sobre formular questões". Você pode falar um pouco mais sobre isso?
A formulação de questões, da mais básica à mais sofisticada, é parte de todo trabalho acadêmico sério. É também uma maneira de clarificar questões que estejam sob investigação. Formular questões é igualmente um modo codificado de nos lembrar que geralmente existe mais de uma resposta - e que nossa tarefa é descobri-las.
3. De que tipo de mídia estamos falando quando dizemos Media Education? Trata-se só de televisão, rádio, cinema, imprensa, enfim, de meios de comunicação de massa, ou já está abordando as novas mídias digitais interativas? Aproveitando a questão, como o referencial teórico-conceitual da Media Education, construído a partir dos meios massivos e lineares, está se adaptando à New Media?
É claro que se a media education ficasse restrita aos meios de comunicação de massa tal eram definidos nos anos 70, estaria completamente fora da realidade a qual pretende se referir. A importância das novas mídias interativas, principalmente da internet, e da globalização das telecomunicações, com o conseqüente ampliação do acesso à informação não pode ser subestimada ou deixada para estudar amanhã. Por outro lado, muito do que vemos nessas novas mídias mantém uma ligação muito direta com as formas comunicativas empregadas pelos meios "anteriores", sendo essencialmente formas audio-visuais, utilizando representações compostas de sons, imagens e textos. Assim a media education não somente incorpora os novos meios como temas de estudo, mas traz uma contribuição importante e indispensável para a análise e para a contextualização das novas tecnologias e meios de comunicação. Seu referencial teórico - que está longe de ser homogêneo e unificado - precisa passar por uma permanente crítica, visando sua adequação à realidade, que por sua vez também está em constante transformação. Esta é uma condição do pensamento científico (eu prefiro dizer pensamento crítico) e na media education não é diferente.
4. O senhor parece propor uma abordagem extremamente politizada para os estudos de mídia. De que forma podemos evitar cair na pregação partidária ou ideológica ao buscar fazer a crítica desses meios?
Muitos pesquisadores aprenderam muito sobre as estruturas de poder nas mídias a partir dos estudos de Michel Foucault. Este autor chamou nossa atenção para as microestruturas do poder, para as formas pelas quais os diversos poderes se difundem e se cristalizam na vida cotidiana. Outros pesquisadores, mais envolvidos com o estudo das mídias, olharam paras as maneiras através das quais o poder é efetivamente exercido nas e pelas mídias, em especial nos grandes canais de massa. Eu cito no meu artigo três aspectos de interesse direto do media educator ao lidar com questões de poder nas mídias: as formas pelas quais elas estabelecem a nossa agenda de conversas e discussões (agenda setting), os modos pelos quais elas definem o que é importante e o que não é, e as maneiras pelas quais elas constituem o conceito de normalidade - e o de desvio, por conseqüência. Outros autores sugerem que o poder das mídias não é meramente imposto, mas que evolui através do diálogo e da negociação. Gramsci falava no processo de hegemonia. Por ora, é importante observar que o exercício do poder através das mídias não é um acontecimento mecânico e direto. É algo muito mais dinâmico e difuso, até contraditório. Isto torna essa questão tanto um campo de grande interesse quanto um assunto muito difícil de abordar rapidamente.
De qualquer maneira, se quisermos que a media education tenha realmente alguma relevância para a escola e para a vida dos estudantes, temos de abordar a questão do poder, que está diretamente ligada à questão da democracia - e de uma forma que permita não só o pensamento crítico mas também a prática democrática na condução dos próprios estudos sobre as mídias.
5. Não corremos o risco de cair numa postura paternalista, procurando adestrar os alunos para que gostem de textos midiáticos dos quais nós, como professores, gostamos - e arremessando para a lata de lixo tudo aquilo de que os alunos, como jovens vivendo numa cultura de massa, gostam? Isso não pode levar a um distanciamento ainda maior entre professor e aluno, entre a cultura e a ciência acadêmica e a cultura dos jovens?
Paternalismo pode ser um rótulo muito abrangente para designar muitas propostas de estudo das mídias que são baseadas numa superioridade por parte do pesquisador professor, mesmo quando colocada de forma mais amena, como "é assim que me parece; o que vocês pensam a respeito" Escritores, de Adorno nos anos 40 a Postman nos 80, fizeram pronunciamentos sobre as mídias, geralmente com uma tonalidade apocalíptica. Recentemente vozes mais moralísticas têm se juntado a muitos autores na sua indignação contra o conteúdo das mídias. O título do livro mais influente de M. Medved carrega claramente conotações ideológicas: "Hollywood versus América: a cultura popular e a guerra contra os valores tradicionais". Há moralistas que parecem ser mais facilmente ofendidos por termos de baixo calão do que pela cobertura ao vivo da guerra na televisão. A velha postura prescritiva ou moralizadora tem levado, sim, a uma ampliação do distanciamento entre este professor e seus estudantes. Há uma tendência, por parte de muitos professores, de confundir a função de ensinar com a de pregar, transformando sua mesa em púlpito ou em palanque, a partir do qual derrama suas palavras iluminadoras sobre os alunos, pensando que assim os mudará.
6. Douglas Rushkoff diz em seu livro "Um jogo chamado futuro" que se nós não percebermos que temos de nos interessar pelos jovens não apenas porque são jovens (isto é, nós próprios, com menos idade) mas principalmente porque são novos. Se não encontrarmos um território comum para estalecer um diálogo, logo sermos, nas palavras de Rushkoff, "estrangeiros em nosso próprio país". O senhor concorda?
É a isso que eu me referi quando disse que muitos professores adotam uma postura prescritiva. Em nome de valores mais elevados, eles procuram prescrever aos alunos uma receita de bom-gosto. Ainda que estes valores não estivessem em discussão, o resultado educacional dessa atitude é pequeno. No final de muitas aulas-sermão sobre as maravilhas da música clássica em comparação com o lixo pop, os alunos chegam à seguinte conclusão: "existem dois tipos de pessoas no mundo - aquelas que, como o professor, gostam de Bach e Beethoven, e aquelas que, como nós, gostam de Guns'n'Roses e Oasis". Mesmo que sejam agora capazes de apreciar um pouco mais sinfonias e música de câmera, os alunos reforçam ainda mais as fronteiras que separam de nós as novas gerações. Nossa busca, como educadores, é reduzir essa distância, encontrando territórios comuns - como você disse na sua pergunta - e não impondo valores exteriores a eles. Acredito que a media education pode ser um ótimo caminho para encontrarmos – ou construirmos - esse território comum, no qual trocas verdadeiramente significativas possam ocorrer entre todos os agentes da aprendizagem, sem paternalismo ou autoritarismo.
7. Voltando à nossa indagação inicial, como poderíamos definir a media education? É uma "disciplina", um campo de estudos ou é uma prática formativa? Em outras palavras: a media education pode reivindicar uma singularidade em termos de metodologia ou de objeto, que a situe no universo acadêmico?
Essa não deve ser uma preocupação fundamental daqueles que estão de fato envolvidos com a media education. Torná-la uma disciplina acadêmica por força de normas e decretos não fará com que se consolide como uma prática e como um caminho para o pensamento crítico e fundamentado sobre as mídias e sua relação com a vida individual e coletiva. A media education é necessariamente interdisciplinar (ou transdisciplinar, se preferirmos) e desse modo pode se basear em múltiplas metodologias para enfocar seus múltiplos objetos - que são dinâmicos e mutantes, como é a vida social. Trata-se muito mais de reconhecermos que não estudar as mídias seria um sinal de que a educação estaria vivendo (como afirmam muitos de seus críticos) em um mundo à parte, separado do mundo real, no qual as mídias desempenham um papel essencial. A media education é somente um dos caminhos para aproximarmos a educação da vida.
Educar é colaborar para que professores e alunos - nas escolas e organizações - transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional - do seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais e tornar-se cidadãos realizados e produtivos.
Entrevista realizada pela internet, em várias ocasiões entre os dias 5 e 28 de janeiro de 2002. Conduzida etraduzida por Antonio Simão
Robert Ferguson
1. Dada a relativa falta de difusão do conceito no Brasil, vamos diretamente à questão que mais nos aflige: afinal, o que é Media Education e qual sua finalidade?
As mídias estão por toda a parte. A onipresença das mídias é uma das razões por causa das quais precisam ser estudadas na escola. Não ensinar sobre as mídias é tão crítico quando não ensinar sobre a gravidade: ambas interferem em nossas vidas a cada passo que damos. As mídias nos trazem informações sobre o mundo, sobre relações sociais, sobre política, religião, cultura, sobre o que comprar, sobre o que é bom e normal, sobre o que é ruim e desviante.Sendo tão prevalentes, não é de estranhar que a maior parte do conhecimento que temos sobre o mundo é mediado. E esta mediação está progressivamente ligada às novas tecnologias de comunicação. John Fiske, um escritor prolífico e pesquisador nesta área argumenta que:
"O conhecimento é uma produção da mediatech, e aqueles que são mídia-analfabetos e tecnófobos serão cortados de sua produção, de sua circulação e das lutas em torno de seu controle. Numa cultura mediada massivamente, eles estão marginalizados e suas vozes clamando pela perda da capacidade de leitura fica cada dia mais fraca". Friske destaca a importância desse novo tipo de alfabetização: a alfabetização para as mídias (media literacy). Isso é cada vez mais importante, pois os conceitos tradicionais de alfabetização estão sendo desafiados pelo desenvolvimento dos meios de comunicação, em especial nessa de meios digitais e interativos.
2. O senhor diz no final do artigo que traduzimos para este número de nossa revista, que a media education é "sobre formular questões". Você pode falar um pouco mais sobre isso?
A formulação de questões, da mais básica à mais sofisticada, é parte de todo trabalho acadêmico sério. É também uma maneira de clarificar questões que estejam sob investigação. Formular questões é igualmente um modo codificado de nos lembrar que geralmente existe mais de uma resposta - e que nossa tarefa é descobri-las.
3. De que tipo de mídia estamos falando quando dizemos Media Education? Trata-se só de televisão, rádio, cinema, imprensa, enfim, de meios de comunicação de massa, ou já está abordando as novas mídias digitais interativas? Aproveitando a questão, como o referencial teórico-conceitual da Media Education, construído a partir dos meios massivos e lineares, está se adaptando à New Media?
É claro que se a media education ficasse restrita aos meios de comunicação de massa tal eram definidos nos anos 70, estaria completamente fora da realidade a qual pretende se referir. A importância das novas mídias interativas, principalmente da internet, e da globalização das telecomunicações, com o conseqüente ampliação do acesso à informação não pode ser subestimada ou deixada para estudar amanhã. Por outro lado, muito do que vemos nessas novas mídias mantém uma ligação muito direta com as formas comunicativas empregadas pelos meios "anteriores", sendo essencialmente formas audio-visuais, utilizando representações compostas de sons, imagens e textos. Assim a media education não somente incorpora os novos meios como temas de estudo, mas traz uma contribuição importante e indispensável para a análise e para a contextualização das novas tecnologias e meios de comunicação. Seu referencial teórico - que está longe de ser homogêneo e unificado - precisa passar por uma permanente crítica, visando sua adequação à realidade, que por sua vez também está em constante transformação. Esta é uma condição do pensamento científico (eu prefiro dizer pensamento crítico) e na media education não é diferente.
4. O senhor parece propor uma abordagem extremamente politizada para os estudos de mídia. De que forma podemos evitar cair na pregação partidária ou ideológica ao buscar fazer a crítica desses meios?
Muitos pesquisadores aprenderam muito sobre as estruturas de poder nas mídias a partir dos estudos de Michel Foucault. Este autor chamou nossa atenção para as microestruturas do poder, para as formas pelas quais os diversos poderes se difundem e se cristalizam na vida cotidiana. Outros pesquisadores, mais envolvidos com o estudo das mídias, olharam paras as maneiras através das quais o poder é efetivamente exercido nas e pelas mídias, em especial nos grandes canais de massa. Eu cito no meu artigo três aspectos de interesse direto do media educator ao lidar com questões de poder nas mídias: as formas pelas quais elas estabelecem a nossa agenda de conversas e discussões (agenda setting), os modos pelos quais elas definem o que é importante e o que não é, e as maneiras pelas quais elas constituem o conceito de normalidade - e o de desvio, por conseqüência. Outros autores sugerem que o poder das mídias não é meramente imposto, mas que evolui através do diálogo e da negociação. Gramsci falava no processo de hegemonia. Por ora, é importante observar que o exercício do poder através das mídias não é um acontecimento mecânico e direto. É algo muito mais dinâmico e difuso, até contraditório. Isto torna essa questão tanto um campo de grande interesse quanto um assunto muito difícil de abordar rapidamente.
De qualquer maneira, se quisermos que a media education tenha realmente alguma relevância para a escola e para a vida dos estudantes, temos de abordar a questão do poder, que está diretamente ligada à questão da democracia - e de uma forma que permita não só o pensamento crítico mas também a prática democrática na condução dos próprios estudos sobre as mídias.
5. Não corremos o risco de cair numa postura paternalista, procurando adestrar os alunos para que gostem de textos midiáticos dos quais nós, como professores, gostamos - e arremessando para a lata de lixo tudo aquilo de que os alunos, como jovens vivendo numa cultura de massa, gostam? Isso não pode levar a um distanciamento ainda maior entre professor e aluno, entre a cultura e a ciência acadêmica e a cultura dos jovens?
Paternalismo pode ser um rótulo muito abrangente para designar muitas propostas de estudo das mídias que são baseadas numa superioridade por parte do pesquisador professor, mesmo quando colocada de forma mais amena, como "é assim que me parece; o que vocês pensam a respeito" Escritores, de Adorno nos anos 40 a Postman nos 80, fizeram pronunciamentos sobre as mídias, geralmente com uma tonalidade apocalíptica. Recentemente vozes mais moralísticas têm se juntado a muitos autores na sua indignação contra o conteúdo das mídias. O título do livro mais influente de M. Medved carrega claramente conotações ideológicas: "Hollywood versus América: a cultura popular e a guerra contra os valores tradicionais". Há moralistas que parecem ser mais facilmente ofendidos por termos de baixo calão do que pela cobertura ao vivo da guerra na televisão. A velha postura prescritiva ou moralizadora tem levado, sim, a uma ampliação do distanciamento entre este professor e seus estudantes. Há uma tendência, por parte de muitos professores, de confundir a função de ensinar com a de pregar, transformando sua mesa em púlpito ou em palanque, a partir do qual derrama suas palavras iluminadoras sobre os alunos, pensando que assim os mudará.
6. Douglas Rushkoff diz em seu livro "Um jogo chamado futuro" que se nós não percebermos que temos de nos interessar pelos jovens não apenas porque são jovens (isto é, nós próprios, com menos idade) mas principalmente porque são novos. Se não encontrarmos um território comum para estalecer um diálogo, logo sermos, nas palavras de Rushkoff, "estrangeiros em nosso próprio país". O senhor concorda?
É a isso que eu me referi quando disse que muitos professores adotam uma postura prescritiva. Em nome de valores mais elevados, eles procuram prescrever aos alunos uma receita de bom-gosto. Ainda que estes valores não estivessem em discussão, o resultado educacional dessa atitude é pequeno. No final de muitas aulas-sermão sobre as maravilhas da música clássica em comparação com o lixo pop, os alunos chegam à seguinte conclusão: "existem dois tipos de pessoas no mundo - aquelas que, como o professor, gostam de Bach e Beethoven, e aquelas que, como nós, gostam de Guns'n'Roses e Oasis". Mesmo que sejam agora capazes de apreciar um pouco mais sinfonias e música de câmera, os alunos reforçam ainda mais as fronteiras que separam de nós as novas gerações. Nossa busca, como educadores, é reduzir essa distância, encontrando territórios comuns - como você disse na sua pergunta - e não impondo valores exteriores a eles. Acredito que a media education pode ser um ótimo caminho para encontrarmos – ou construirmos - esse território comum, no qual trocas verdadeiramente significativas possam ocorrer entre todos os agentes da aprendizagem, sem paternalismo ou autoritarismo.
7. Voltando à nossa indagação inicial, como poderíamos definir a media education? É uma "disciplina", um campo de estudos ou é uma prática formativa? Em outras palavras: a media education pode reivindicar uma singularidade em termos de metodologia ou de objeto, que a situe no universo acadêmico?
Essa não deve ser uma preocupação fundamental daqueles que estão de fato envolvidos com a media education. Torná-la uma disciplina acadêmica por força de normas e decretos não fará com que se consolide como uma prática e como um caminho para o pensamento crítico e fundamentado sobre as mídias e sua relação com a vida individual e coletiva. A media education é necessariamente interdisciplinar (ou transdisciplinar, se preferirmos) e desse modo pode se basear em múltiplas metodologias para enfocar seus múltiplos objetos - que são dinâmicos e mutantes, como é a vida social. Trata-se muito mais de reconhecermos que não estudar as mídias seria um sinal de que a educação estaria vivendo (como afirmam muitos de seus críticos) em um mundo à parte, separado do mundo real, no qual as mídias desempenham um papel essencial. A media education é somente um dos caminhos para aproximarmos a educação da vida.
Educar é colaborar para que professores e alunos - nas escolas e organizações - transformem suas vidas em processos permanentes de aprendizagem. É ajudar os alunos na construção da sua identidade, do seu caminho pessoal e profissional - do seu projeto de vida, no desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais e tornar-se cidadãos realizados e produtivos.
Entrevista realizada pela internet, em várias ocasiões entre os dias 5 e 28 de janeiro de 2002. Conduzida etraduzida por Antonio Simão
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